A Norma Regulamentadora NR 35 estabelece que toda atividade em altura deve ser precedida de uma análise de risco detalhada. O objetivo principal é identificar e mitigar os riscos de queda por meio da implementação de sistemas de ancoragem (linhas de vida). Entretanto, um aspecto frequentemente negligenciado é a necessidade de uma análise estrutural específica antes da instalação desses sistemas em telhados, pois os critérios de resistência dos materiais e as cargas que devem ser consideradas para o correto dimensionamento de uma estrutura de cobertura são muito diferentes das cargas que incidem em uma linha de vida. Portanto, o dimensionamento correto é crítico para evitar o colapso da estrutura e garantir a segurança dos trabalhadores.
Para garantir a segurança estrutural, a indústria de construção metálica no Brasil segue a norma NBR 8800 – Projeto de estruturas de aço e estruturas mistas de aço e concreto de edifícios. Esta norma classifica e estabelece os tipos de ações a serem consideradas no projeto, bem como os estados-limites últimos (ELU) e de serviço (ELS).
Exemplo de cargas a serem consideradas:
Cargas permanentes: incluem o peso próprio da estrutura, telhas, isolantes térmicos e outros elementos fixos.
Cargas variáveis:
Sobrecarga de uso: peso de pessoas, equipamentos ou materiais temporários.
Cargas de vento: determinadas com base na NBR 6123, dependendo da região e da altura da edificação.
Cargas de neve: Aplica-se em regiões frias, conforme também descrito na NBR 6123.
Cargas de água: Considera-se o acúmulo de água da chuva em coberturas planas.
Cargas acidentais: como impactos ou cargas não previstas.
Exemplo de cálculo simplificado
Para uma cobertura metálica com telhas trapezoidais:
• O peso próprio da telha ex.: 5 kg/m².
• sobrecarga de uso ex.: 25 kg/m².
• Cargas de vento: ex.: 50 kg/m² (variável conforme a localização).
Essas cargas precisam ser distribuídas adequadamente entre as terças (elementos de fixação das telhas), a estrutura secundária e as treliças que constituem a estrutura primária de suporte.
Diferentemente das cargas estáticas consideradas nos projetos de telhados, os sistemas de linhas de vida estão sujeitos a cargas dinâmicas, que são geradas em caso de queda. De acordo com a NBR 8681 (Ações e segurança nas estruturas), é imprescindível a aplicação de coeficientes de segurança adequados para compensar os impactos dinâmicos.
Por isso, aqui na Prokline não apenas realizamos análises de risco para a implantação de sistemas de ancoragem, mas também avaliamos detalhadamente os elementos estruturais que serão utilizados como base para esses sistemas. Isso garante que a estrutura não colapse em situações de emergência.
Sabemos que muitos telhados não foram projetados para suportar a instalação de linhas de vida. Apesar disso, algumas empresas que se autodenominam especialistas em sistemas de ancoragem negligenciam a análise estrutural adequada, colocando vidas em risco. Nós, adotamos uma abordagem técnica rigorosa, garantindo que todos os projetos estejam em conformidade com as normas técnicas aplicáveis e assegurando a proteção dos trabalhadores em altura.
A instalação segura de linhas de vida requer uma análise estrutural abrangente e o cumprimento das normas técnicas vigentes. Investir em segurança e qualidade é uma obrigação normativa e um compromisso ético com a proteção da vida humana.
Christof Becker
Coordenador de Engenharia Mecânica